Capelania Hospitalar

Hospitais maiores, pertencentes ou não a instituições religiosas (católicos, evangélicos, etc.), têm na capelania hospitalar, quando atuante, uma assistência aos pacientes e familiares que acaba redundando em excelente imagem para os mesmos. Esta assistência, muitas vezes, extrapola a espiritual, principalmente quando o setor de assistência social é lento em suas ações. Reveste-se de ajuda pratica aos menos informados ou não-favorecidos, ajudando-os em decisões infrequentes, como na doação de órgãos, no entendimento da evolução da doença, na aceitação da cura parcial, na cronicidade de alguma situação, elevando o relacionamento hospital-paciente-médico-família a um estágio superior ao corriqueiro. No entanto, para isto, a capelania hospitalar deve ser compreendida.

A Perspectiva do Cuidado

Nas últimas duas décadas, surgiu um movimento que reflete positivamente a atuação da Medicina e seus avanços, com o simultâneo acompanhamento espiritual dos pacientes internados e seus respectivos familiares. Esta atividade de acompanhamento é conhecida como Capelania Hospitalar.

A Origem da Capelania Hospitalar

No antigo reino da França, no transcorrer das guerras, surgiu o costuma de levar relíquias ou menos o oratório de São Martin de Tours, para os acampamentos militares. A referida relíquia ou oratório era posta numa tenda denominada capela, sendo guardada por um sacerdote encarregado dos ofícios religiosos, da confissão e do aconselhamento pastoral. Posteriormente, este costume foi levado para Roma e outros reinos. No ano de 1857, por iniciativa do Papa Pio IX, este trabalho foi estendido para colégios, prisões, parlamentos, cemitérios e hospitais.

Observando a história, constata-se que o tratamento de enfermidades teve início junto às igrejas. Inicialmente, os sacerdotes eram tidos como médicos (cura d’almas), ao passo que os templos eram, em muitos lugares, espaço de abrigo para os enfermos. A história demonstra, ainda, que somente no ano de 460 a.C, por intermédio da atuação de Hipócrates, é que teve início a fundamentação da medicina moderna. Até então, a cura era um misto de superstições, encantamentos e crendices proporcionados por divindades.

Hipócrates, no ano de 437 a.C., incentivou para que os templos assumissem características de hospitais. Constantino, em 335 d.C, determinou a criação de hospitais cristãos. O Papa Inocêncio III, no ano de 1204, mandou construir, em Roma, o Hospital do Espírito Santo, que atuou até 1922, quando foi destruído por um grande incêndio. Desta forma, percebe-se que no transcorrer dos tempos, saúde, medicina e acompanhamento espiritual sempre tiveram um relacionamento bastante íntimo.

No entanto, no transcorrer da história, também houve momentos em que estas ciências estiveram bastante afastadas. A partir do início do século passado, medicina e religião tomaram caminhos separados, estabelecendo-se uma linha materialista e ateísta, por parte de cientistas, pesquisadores e médicos. Com esta realidade, passou-se a negar que o acompanhamento espiritual e que a fé pudessem proporcionar qualquer benefício ao paciente ou à sua família.

A partir da década de 80, iniciou-se um despertar de profissionais da saúde para os cuidados com a dimensão espiritual de seus pacientes, e houve, da parte dos religiosos, profundos avanços no que diz respeito à compreensão da antropologia e sociologia do ser humano, constatando-se, hoje, que o sistema de fé pode gerar um profundo bem-estar.

O Trabalho da Capelania Hospitalar

A atuação da capelania hospitalar deve sempre ocorrer com atenção e respeito às demais áreas profissionais que atuam no ambiente hospitalar, ou seja, deve ser desempenhada a partir de um diálogo interdisciplinar.

A atividade da capelania hospitalar deve ser desempenhada sem sectarismo, respeitando a fé daqueles que são atendidos, não devendo ter como intuito a pura e simples conversão daqueles que são auxiliados. Deve buscar o estabelecimento de um ambiente de paz e serenidade, ser facilitadora do encontro do paciente consigo mesmo, com a sua fé e a realidade que o cerca. Desta forma, a capelania hospitalar poderá participar ativamente do processo de humanização do ambiente hospitalar.

O Capelão

Deve ser um profissional atualizado, informado, discreto e persistente, com uma postura otimista, evitando colocar-se diante do enfermo de modo pessimista e desanimador. Jamais deverá tomar atitudes dogmáticas e inflexíveis, pois há de considerar que terá diante de si pessoas de diferentes credos e tradições, bem como de formações diversas. Deve cultivar a paciência e o equilíbrio emocional, e vida espiritual centrada.

O Trabalho do Capelão

A atuação do capelão hospitalar é muito variada. Pode-se apontar como pontos significativos os seguintes aspectos:

1. Visitar e dialogar com os pacientes internador, proporcionando-lhes consolo e encorajamento a partir da fé cristã.

2. Ouvir e dialogar com os profissionais da saúde sobre as suas dúvidas e angústias espirituais que se apresentam perante o cuidado dos pacientes sob a sua responsabilidade.

3. Identificar aspectos que geram tensão no paciente e nas equipes profissionais, abordando-as no intuito de proporcionar paz e harmonia.

4. Ouvir, dialogar, aconselhar e auxiliar familiares de pacientes internados.

5. Acompanhar os profissionais da saúde quando da comunicação de notícias desalentadoras (óbitos, resultados de exames desapontadores, necessidade de cirurgias inesperadas, etc.), ou situações tidas como drásticas (abortos, doação de órgãos, tentativas e suicídio, amputações de membros, etc.), proporcionando amparo ao paciente e sua respectiva família.

6. Promover e participar, juntamente com as demais disciplinas que atuam no ambiente hospitalar, de debates no campo da ética e da bioética.

7. Assessorar a equipe médica e demais profissionais de saúde na compreensão da religiosidade do paciente, e de como o mesmo correlaciona isto com a sua dor, sofrimento e enfermidade.

8. Orar e promover devoções com pacientes, familiares e profissionais da saúde em busca do fortalecimento da fé e da confiança.

9. Apoiar o enfermo, possibilitando que a crise gerada pela enfermidade possa se tornar um caminho de crescimento.

Em suma, a função do trabalho de capelania hospitalar é auxiliar no encontro da paz e harmonia, confiança e solidariedade, bem como o significado mais profundo da existência humana. Dessa forma, a capelania deve ajudar a reestruturar aquilo que se encontra desestruturado.

Referência:

O Hospital – Manual do Ambiente Hospitalar – 9ª edição. Virginia Helena S. de Souza e Nelson Mozachi.

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